Regras
Minhas três regras principais são:
Não me use.
Não me traia.
E, se estiver cansado(a) de mim, saia.
Eu demorei tanto pra me colocar em primeiro lugar, que hoje as vezes eu preciso pensar o que eu quero.
O que você quer? O que você quer fazer?
Quantas vezes você parou pra perguntar se você quer mesmo fazer o que faz?
Estava tão acostumada a seguir os outros, a fazer o que me diziam pra fazer, o que achavam que seria melhor pra mim, que dificilmente eu parava pra pensar se era isso.
Lembro de algumas vezes na minha infância quando manisfestei o desejo de não fazer o que eu não queria e levei um tapa vigoroso no rosto, outra vez tive minha roupa arrancada do corpo e fui obrigada a me trocar porque eu não queria sair e minha mãe não aceitou. Depois de adulta, fui obrigada a transar mesmo dizendo não. Fui obrigada a conviver com pessoas e a sorrir como se estivesse a vontade, quando na verdade eu não queria.
Rsrs...fui obrigada a tanta coisa na vida!
Mas hoje eu não sou mais, hoje eu posso decidir por mim se quero ou não permanecer nos lugares, se quero conviver com determinadas situações, com determinadas pessoas.
Tenho notado com tristeza que as pessoas ultimamente só procuram as outras quando precisam, nem se incomodam mais se têem algo a oferecer ao outro, ou se por simples educação faz se a cortesia antes de pedir algo.
Não.
As pessoas querem ser ouvidas, mas não se importam em ouvir.
Querem presentes, querem favores, querem se aproveitar se você tem influência, querem se aproveitar se você sabe mais que elas, mas se recusam a dar informações, querem sua roupa, seu relacionamento, sua família, querem seu dinheiro, seu jeito de ganhar a vida, seu jeito de ser, seu estilo..."eles querem seu sangue".
E não, o que eles fazem não é se colocarem em primeiro lugar. E meu Deus isso acontece tanto, todo dia, o dia todo...eles querem sugar pra si tudo que é do outro sem se importar com nada.
Por isso as pessoas são tocadas pela solidão o tempo todo, porque quem nota esse ciclo não quer mais conviver com pessoas.
Eu me peguei pensando hoje em quantas vezes eu fui cortada enquanto eu tentava falar, explicar, contar algo. Em quantas vezes fui interrompida com...' - Então, já aconteceu comigo!" E a fala mudava o foco.
Pensei em quantas vezes a pessoa me ligou, ou enviou uma mensagem perguntando rapidamente se eu estava bem e de repente desaguava em falar de si mesmo e quando se sentia melhor ou tinha sua resposta simplesmente desaparecia.
Quantas vezes....rsrs...quando eu comecei a falar, ou liguei, ou enviei uma mensagem eu ouvi ou li, "calma ae já falo com você" "perae, vou atender uma ligação ja converso com você" "eu to meio ocupado, me chama depois" e eu fui ficando de lado.
E quantas vezes eu deixei de atender uma ligação para conversar com a mesma pessoa? Quantas vezes eu deixei tudo de lado pra saber se a pessoa estava bem ou se precisava de algo?
Sim, eu tento mudar esse meu lado. Mas é difícil mudar a essência.
Então quando noto que estou sendo usada, traída ou sinto que não sou bem-vinda eu me retiro.
Eu me coloco em primeiro lugar.
Estou ficando sem "amigos"? Sim.
Me afastei de quase todos da minha família? Sim.
Tem mais pessoas que pretendo me afastar? Sim.
Ao me priorizar, estou vendo diminuir minhas crises de ansiedade, parei de esperar mensagens, ligações, passei a ler mais, a me reconectar mais comigo mesma.
A experiência ainda tem alguns ajustes, mas estou chegando lá.

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